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China promete estabilidade econômica

Autoridades chinesas encerraram o feriado do Ano Novo Lunar com uma mensagem coletiva para investidores nervosos tanto no país quanto no exterior: o governo colocará um limite para a economia em desaceleração, vai manter sua moeda estável e garantir que o emprego permaneça estável mesmo que as indústrias passem por reestruturação.

A série de garantias foi feita antes de dois eventos políticos de alto nível para a China: uma reunião de chefes de Finanças do Grupo dos 20 (G20, que reúne as maiores economias do mundo) em Xangai neste mês e o encontro do próximo mês do Legislativo chinês —onde o próximo plano de desenvolvimento econômico de cinco anos será finalizado.

“Os fundamentos econômicos da China não mudaram”, disse a repórteres em Pequim nesta quarta-feira Zhao Chenxin, porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, principal órgão de planejamento econômico do país. “A economia manterá uma taxa de crescimento de média a alta.”

“O status da China de maior detentora de reservas cambiais do mundo não mudou, o superavit comercial de larga escala não mudou e o progresso constante na internacionalização do yuan não mudou”, disse Zhao.

Mas ainda assim, o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 6,9% em 2015, o ritmo mais lento em 25 anos, e economistas veem mais desaceleração este ano, mesmo se o governo expandir sua campanha de estímulos.

“Nós achamos que o crescimento pode ser de 6,7% a 6,8% neste ano”, disse o economista-chefe do China Everbright Securities, Xu Gao.

“O risco de um pouso forçado pode vir de políticas governamentais impróprias. Se as políticas estiverem certas, o risco de pouso forçado é bem pequeno.”

A Comissão planeja alocar 400 bilhões de yuans (US$ 61,3 bilhões) para financiar projetos de governos locais em infraestrutura, disse uma filial local do órgão em comunicado antes do feriado do Ano Novo Lunar.

A comissão disse nesta quarta-feira que deu aval para 54,1 bilhões de yuans de investimentos em janeiro, após a aprovação de 2,52 trilhões de yuans em projetos em 2015, para ajudar no crescimento.

O anúncio se seguiu a medidas reveladas na terça-feira pelo banco central para sustentar as indústrias chinesas.

Dados também mostraram que os bancos concederam um recorde de 2,51 trilhões de yuans em novos empréstimos em janeiro, muito mais do que os mercados esperavam, sugerindo que Pequim está mantendo a política monetária frouxa.

“Para a economia, ainda há muito espaço para o governo aumentar os investimento. 2016 é o primeiro ano do 13º plano quinquenal (2016-2020) e o governo vai garantir crescimento de ao menos 6,5% este ano”, disse Xu, do China Everbright Securities.

Fonte: Folha Online