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Importação da China de produtos brasileiros já soma quase o dobro de todo Mercosul

A China é o principal parceiro comercial do Brasil – está a frente de países como os Estados Unidos e a Argentina – e as trocas comerciais entre os dois países não param de crescer nos últimos anos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apontam que, em 2013, as exportações para o Gigante Asiático somaram US$ 46 bilhões e as importações, US$ 37 bilhões – total de US$ 83 bilhões.

Em 2012, por exemplo, a cifra foi menor, o equivalente a US$ 75,4 bilhões – US$ 34,2 bilhões em importações e US$ 41,2 milhões em exportações. Para se ter ideia da importância das relações de mercado com a China, basta fazer uma comparação com os dados sobre o comércio bilateral entre o Brasil e os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) – US$ 43,9 bilhões (importações e exportações) em 2013 contra os R$ 83 bilhões com os chineses.

“A relação Brasil-China vem experimentando um avanço muito grande, tanto em matéria de comércio como de investimento. De 2007 a 2012, foram anunciados aportes na ordem de US$ 68 bilhões, dos quais US$ 28 bilhões já se concretizaram. Esses investimentos, que começaram na área de commodities, de soja e de minério de ferro, estão se estendendo para o setor de infraestrutura”, afirma o presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), embaixador Sérgio Amaral.

Amaral é um dos consultores contratos pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) para apoiar o trabalho do Escritório Avançado em Pequim. Segundo ele, existe complementaridade entre as economias dos dois países. “O Brasil tem abundância de recursos naturais, terra arável e água. E a China necessita muito de produtos agrícolas brasileiros. Agora, além do agronegócio, outro grande setor é o de transporte. A China desenvolve muita tecnologia em transporte”, destaca.

Dados do CEBC mostram que, nos últimos cinco anos, 44 empresas chinesas demonstraram interesse em ingressar no Brasil por meio do anúncio de projetos de investimento. No entanto, os projetos de empresas privadas – apenas 13 – ainda são muito inferiores quando comparados aos 47 projetos que possuem, em algum nível, o capital do estado chinês como proprietário das empresas. Segundo o Conselho, o grande motivador do ingresso de investimentos chineses no Brasil é a busca por mercado.

Amaral lembra que a ação do Escritório da CNT pode contribuir e tornar as relações sino-brasileiras ainda mais fortes, viáveis economicamente para os dois países. “A China realizou o que precisava em infraestrutura e busca novos mercados para transferir e desenvolver tecnologia. É isso que nós buscamos. Queremos novos investimentos, novas tecnologias. Existe um grande potencial na área de transporte para a formação de parcerias entre as empresas brasileiras e chinesas”, completa.

De acordo com o ex-embaixador do Brasil na China, Clodoaldo Hugueney Filho, outro fato positivo é a capacidade que os brasileiros apresentam, nos últimos anos, de diversificar a pauta de exportações, que cresceram 12% no ano passado, em comparação com 2012. “O comércio entre o Brasil e a China se transformou profundamente nos últimos dez anos. Quando eu morava na Ásia, as visitas entre chefes de estado eram raras, ocorriam a cada quatro ou cinco anos. Hoje, essas visitas envolvendo os presidentes dos dois países são constantes, mostram que o nível da relação se tornou prioritário”, explica à Agência CNT de Notícias.

Ao comparar as tendências atuais com o período em que morava na China, atuando como embaixador, há seis anos, Hugueney destaca que os investimentos chineses no Brasil eram da ordem de US$ 300 milhões, mesma quantia que os brasileiros investiam na China. “Atualmente, o estoque de investimentos da China no Brasil está próximo dos US$ 30 bilhões. Existem grandes empresas do ramo de equipamentos de produção e da área automotiva em atuação aqui. A China é um importante investidor no Brasil”, afirma.

Para Hugueney, o intercâmbio de negócios sino-brasileiro seria ainda maior se os empresários brasileiros, assim como os chineses, trabalhassem com mais planejamento estratégico. “Este é uma grande desafio daqui para frente. Os chineses têm uma visão clara de longo prazo e privilegiam a relação com o Brasil. Isto é excelente e nós devemos seguir trabalhando para que as nossas exportações aumentem e sejam cada vez mais diversificadas”, aponta.

O ex-embaixador salienta que o Brasil precisa desenvolver, em conjunto com os chineses, uma estratégia a longo prazo e definir uma linha de atuação, com o objetivo de chegar aos resultados desejados pelo próprio governo e pelo setor privado. Diplomata durante 50 anos, Hugueney também é um dos consultores do Escritório Avançado da CNT em Pequim, cuja atuação considera fundamental à consolidação dessa meta de desenvolvimento. “É importante que a CNT desenvolva este pensamento estratégico na área de transportes, já que um dos maiores desafios do Brasil é a modernização da infraestrutura”, finaliza.

Brasil pode atrair mais investimentos
O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Paulo Sérgio Passos, elogiou a iniciativa de abertura do Escritório Avançado da Confederação Nacional do Transporte (CNT) na China. Em entrevista à Agência CNT de Notícias, ele afirmou que “a presença de instituições brasileiras no país estimula o interesse dos chineses pelos projetos de infraestrutura, especialmente na ampliação da malha ferroviária”.

Segundo Passos, um ator institucional como a CNT, que tem a visão dos transportes, pode auxiliar os chineses na compreensão da dimensão e importância dos projetos de infraestrutura brasileiros, mostrando a eles oportunidades de investimento. O dirigente da EPL acrescenta que a China pode ser parceira da consolidação de uma infraestrutura que apoie a dinâmica econômica do Brasil, além de reduzir os custos logísticos.

De acordo com Passos, o modelo mais recomendado para firmar as parcerias com os chineses está relacionado às concessões do PIL, que envolvem investimentos em ferrovias, rodovias, portos e aeroportos.

Fonte:  Agência CNT de Notícias.

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